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Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR / Marcus Gunn)

Em uma frase: Detecta disfunção unilateral do nervo óptico pela resposta pupilar assimétrica à luz.

Espaço Fisioterapia · atualizado em 18/10/2026

Execução do Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR / Marcus Gunn)

Como fazer o Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR / Marcus Gunn)

Detecta disfunção do nervo óptico (NC II). Compara a resposta pupilar à luz entre os dois olhos. A assimetria indica lesão da via aferente unilateral.

Aplicação: ambiente com iluminação reduzida. Paciente fixa o olhar em alvo distante. O avaliador ilumina um olho por 2–3 segundos, observando a constrição pupilar bilateral (resposta direta + consensual). Move rapidamente o foco da lanterna pro olho contralateral por 2–3 segundos, e alterna várias vezes em ritmo regular. Observar o tamanho e a resposta da pupila ao ser iluminada.

Quando o Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR / Marcus Gunn) é positivo

Quando o foco da lanterna se move pro olho afetado, a pupila dilata em vez de manter ou aumentar a constrição (resposta paradoxal). Indica disfunção da via aferente desse olho: neurite óptica (esclerose múltipla é causa frequente em adultos jovens), neuropatia óptica isquêmica, glaucoma avançado assimétrico, descolamento de retina extenso, lesão compressiva do NC II.

Importante: diferencia déficit aferente (NC II) de déficit eferente (NC III) — no DPAR a constrição consensual está preservada quando o outro olho é iluminado.

O que um negativo pode esconder

Falso negativo clássico: neuropatia óptica bilateral e simétrica (neurite óptica bilateral, neuropatia tóxica ou hereditária, glaucoma simétrico). O teste é relativo e compara um olho com o outro, então lesão igual nos dois lados não gera assimetria. Vale o mesmo quando o olho contralateral já tem lesão de grau parecido, como neurite antiga na esclerose múltipla.

  • Ambiente claro ou lanterna fraca, que reduzem a amplitude da resposta.
  • Tempo ou ângulo de iluminação diferente entre os olhos, ou troca lenta demais.
  • Paciente fixando a lanterna ou um alvo próximo, o que provoca miose pela reação de perto.

Se a suspeita é forte: filtros de densidade neutra ou pupilometria, acuidade, visão de cores, dessaturação ao vermelho, campimetria, fundoscopia e OCT, e encaminhamento para neuro-oftalmologia.

Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR / Marcus Gunn) vs Reflexo Pupilar à Luz

O Reflexo Pupilar à Luz ilumina um olho de cada vez e verifica se a via aferente (NC II) e a eferente (NC III) estão íntegras, registrando a resposta direta e a consensual. Ele responde à pergunta 'a pupila reage?'. O DPAR usa a mesma lanterna, mas alterna rápido entre os olhos para comparar a força do estímulo aferente de cada lado. Ele responde 'um nervo óptico conduz menos que o outro?'.

Na prática, faça primeiro o reflexo pupilar (anisocoria, ou pupila que não reage nem direta nem consensualmente, sugere lesão eferente) e depois a lanterna alternada. Uma lesão aferente parcial e unilateral pode deixar o reflexo simples com aparência normal, porque a resposta consensual mantém as duas pupilas reagindo.

Sensibilidade e especificidade

Sensibilidade
~67%
Especificidade
~83%

Valores do rastreio de glaucoma (n=107, população mista com e sem glaucoma, lanterna alternada com filtros de densidade neutra quando necessário, aplicada por não oftalmologista). Excluindo quem já tinha operado catarata, ficou em ~69% e ~89%. Não valem automaticamente para neurite óptica ou lesão compressiva. O desempenho depende muito do examinador e da técnica.

Fonte: Charalel RA, Lin HS, Singh K., Journal of Glaucoma, 2014

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