Teste de Reflexo Pupilar à Luz
Espaço Fisioterapia · atualizado em 05/11/2026

Como fazer o Reflexo Pupilar à Luz
Reflexo básico do exame neurológico que avalia a integridade da via visual aferente (NC II) e da via parassimpática eferente (NC III). Diferencia-se do DPAR (swinging flashlight) por testar a integridade absoluta, não a comparação relativa entre os olhos.
Aplicação: ambiente com iluminação reduzida. Paciente fixa o olhar à distância. Iluminar cada olho separadamente com lanterna durante 2–3 segundos, aproximando lateralmente. Observar:
Resposta direta: constrição da pupila iluminada
Resposta consensual: constrição da pupila contralateral simultaneamente
Quando o Reflexo Pupilar à Luz é positivo
Anormalidades possíveis e suas implicações:
Ausência da direta + presença da consensual: lesão eferente (NC III) ipsilateral - paralisia do III par
Ausência da direta + ausência da consensual quando esse olho é iluminado: lesão aferente (NC II) ipsilateral - atrofia óptica, neurite, descolamento de retina
Pupilas fixas e dilatadas bilateralmente: lesão de tronco encefálico (mesencéfalo), morte encefálica, intoxicação atropínica
Pupilas puntiformes: lesão pontina, intoxicação por opioides
Anisocoria com reflexos preservados: Horner (miose + ptose), Adie (midríase tônica)
O que um negativo pode esconder
Falso negativo típico: lesão óptica parcial ou bilateral simétrica (neurite em resolução, glaucoma, neuropatia tóxica) mantém a constrição presente, só mais lenta ou menos ampla. Lesões retrogeniculadas e cegueira cortical também preservam o reflexo, porque as fibras pupilares deixam o trato óptico rumo ao pré-tecto antes do corpo geniculado lateral.
Erros que mais mascaram a lesão:
- sala clara, com pupilas já mióticas antes do estímulo
- lanterna fraca ou luz frontal que ilumina os dois olhos ao mesmo tempo
- paciente fixando perto, somando miose de acomodação
Com suspeita forte e teste normal, faça DPAR, acuidade visual e campo visual por confrontação, e encaminhe para avaliação oftalmológica (fundoscopia, OCT, potencial evocado visual) ou neurológica com RM.
Reflexo Pupilar à Luz vs Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR / Marcus Gunn)
Os dois usam lanterna em sala escura, mas fazem perguntas diferentes. O reflexo à luz ilumina cada olho isoladamente e verifica se existe constrição direta e consensual. Com isso flagra lesão eferente (III par) e perda aferente grave.
O DPAR alterna a luz rapidamente entre os olhos e compara a amplitude da resposta. Detecta assimetria aferente sutil mesmo com o reflexo direto presente, mas não identifica lesão do III par nem lesão óptica bilateral simétrica.
Na prática, o reflexo à luz vem primeiro em toda triagem neurológica e no paciente com nível de consciência rebaixado. O DPAR vem em seguida quando há suspeita de perda visual unilateral.
Ver a ficha do Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR / Marcus Gunn) →
Sensibilidade e especificidade
Não há valor consolidado na literatura. É um teste de integridade grosseira da via, menos sensível que o DPAR para neuropatia óptica unilateral leve, e não detecta lesões retrogeniculadas.
O que o Reflexo Pupilar à Luz ajuda a identificar
- Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE): Lesão cerebral por força mecânica externa, com dano primário e secundário progressivo.
Teste o que você leu
Três perguntas sobre o Reflexo Pupilar à Luz. Sem cadastro.
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