Clônus do Tornozelo
Em uma frase: Avalia lesão do neurônio motor superior por contrações rítmicas do tornozelo ao estiramento.
Espaço Fisioterapia · atualizado em 15/10/2026

Como fazer o Clônus do Tornozelo
Contrações rítmicas e repetidas do tornozelo provocadas por estiramento súbito. Sinal clássico de lesão do neurônio motor superior. Específico mas não muito sensível.
Aplicação: paciente em decúbito dorsal ou sentado, perna ligeiramente flexionada e apoiada. O avaliador realiza uma dorsiflexão brusca e sustentada do tornozelo (mantendo a pressão dorsal) e observa o pé.
Quando o Clônus do Tornozelo é positivo
Contrações rítmicas alternadas de flexão plantar e dorsiflexão do tornozelo enquanto o avaliador mantém a pressão. Quantificar: 3 ou mais batidas rítmicas indicam clônus patológico.
Persistência sustentada (clônus inesgotável) é mais específico, indica lesão piramidal - AVC, lesão medular, ELA, paralisia cerebral espástica, esclerose múltipla.
Diferencial: 1–2 batidas não-rítmicas podem ser fisiológicas em pacientes ansiosos.
O que um negativo pode esconder
Na fase aguda da lesão (choque medular, primeiros dias após AVC) o tônus costuma estar flácido e o clônus ainda não aparece. Ele também pode diminuir ou sumir com antiespásticos (baclofeno, toxina botulínica no tríceps sural), com neuropatia periférica associada ou com um equino rígido que bloqueia a dorsiflexão.
Erros de técnica que geram falso negativo:
- Dorsiflexão lenta, sem estiramento súbito do tríceps sural.
- Aliviar a pressão logo após o primeiro movimento em vez de sustentá-la.
- Paciente contraído, ou joelho em extensão que deixa o gastrocnêmio sem folga.
Se vier negativo com suspeita forte, repita com reforço de Jendrassik, procure hiper-reflexia, Babinski e Hoffmann e encaminhe para avaliação médica.
Clônus do Tornozelo vs Babinski
Os dois rastreiam lesão do neurônio motor superior, mas por vias diferentes. O clônus testa o reflexo de estiramento do tríceps sural, ou seja, a hiperexcitabilidade ligada à espasticidade. O Babinski testa um reflexo cutâneo plantar. O estímulo vai na borda lateral da planta e a resposta positiva é extensão do hálux, muitas vezes com abertura dos dedos em leque.
Nos estudos de mielopatia cervical os dois aparecem como específicos e pouco sensíveis, por isso valem mais juntos do que isolados. Na fase aguda do AVC o Babinski já pode estar presente enquanto o tônus ainda está baixo e o clônus não aparece. Em toda suspeita de lesão central, faça os dois junto com reflexos profundos e Hoffmann.
Sensibilidade e especificidade
O estudo citado existe (Cook C et al., J Man Manip Ther 2010;18(4):175-180, n=249, mielopatia cervical), mas o clônus não entra no cluster final e não foi possível confirmar no texto completo os valores individuais de ~7% e ~99%. Por isso os números foram removidos. O padrão qualitativo se mantém na literatura de mielopatia cervical, com sensibilidade baixa e especificidade alta, mas não vale para lesão do NMS em geral.
O que o Clônus do Tornozelo ajuda a identificar
- Espondilose Cervical: Degeneração da coluna cervical com osteófitos e redução discal, que pode causar dor axial, radiculopatia ou mielopatia.
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