Distração Cervical
Em uma frase: Identifica compressão radicular por hérnia discal cervical, com alívio na distração. Positivo quando: Alívio ou diminuição dos sintomas sugere compressão radicular ou foraminal.
Espaço Fisioterapia · atualizado em 19/10/2026

Como fazer o Distração Cervical
Serve para identificar a presença de uma possível compressão radicular por hérnia discal (entre C5-C6-C7). Feito em duas etapas:
1. Etapa de Compressão: O paciente sentado, com a coluna cervical em posição neutra (sem flexão ou extensão excessiva). O fisioterapeuta posiciona-se atrás do paciente, coloca ambas as mãos no topo da cabeça e aplica uma força axial para baixo (compressão) de forma gradual e suave. Nesta etapa, deve-se observar se há surgimento ou intensificação de dor cervical ou dor irradiada para os membros superiores.
2. Etapa de Distração: Ainda atrás do paciente, o examinador coloca uma mão na região occipital e a outra sob o queixo. Aplica-se tração axial (distração), puxando levemente a cabeça do paciente para cima por no mínimo 5 segundos e questiona o paciente se houve alivio dos sistomas manifestados durante o Teste de Compressão.
Quando o Distração Cervical é positivo
O que um negativo pode esconder
A sensibilidade é baixa (cerca de 44%), então um negativo não exclui radiculopatia. É plausível que falhe mais na compressão foraminal óssea (osteófito, estenose), na radiculopatia crônica com déficit e pouca dor e quando o paciente não tem sintoma de base para aliviar.
- Tração fraca ou curta demais, sem tempo para o forame descomprimir.
- Pescoço em extensão durante a tração, o que tende a manter o forame fechado.
- Pegada dolorosa no queixo, que gera defesa muscular e anula a distração.
Se a suspeita for forte, complete o cluster de Wainner (ULTT1 mediano, Spurling, rotação cervical abaixo de 60° para o lado sintomático) e faça o exame neurológico. Persistindo a dúvida, considere RM e eletroneuromiografia.
Distração Cervical vs Spurling
O Spurling é provocativo. Ele leva o pescoço em extensão e inclinação para o lado sintomático (algumas versões somam rotação) com compressão axial, e assim estreita o forame desse lado. A distração faz o oposto: abre o forame e procura alívio. A compressão axial em posição neutra da ficha não é Spurling, porque não fecha um forame específico.
Os dois tendem a ser mais específicos que sensíveis, então servem mais para confirmar do que para excluir. Uma sequência prática é fazer o Spurling primeiro. Se ele reproduzir a dor irradiada e a distração aliviar, a origem radicular fica mais provável. Se o paciente tolerar mal o Spurling, a distração sozinha é a opção mais confortável.
Sensibilidade e especificidade
- Sensibilidade
- ~44%
- Especificidade
- ~90%
Valores de Wainner vêm de amostra pequena, com intervalo de confiança amplo. Viikari-Juntura et al. (Spine, 1989) encontraram sensibilidade de 40 a 43% e especificidade de 100% para a tração axial manual. Revisões sistemáticas (Rubinstein et al., Eur Spine J, 2007) o classificam como muito específico e pouco sensível.
Fonte: Wainner et al., Spine, 2003
O que o Distração Cervical ajuda a identificar
- Radiculopatia cervical: Distúrbio nervoso na coluna cervical por compressão, inflamação ou lesão.
- Compressão neural: Condição onde raízes nervosas são comprimidas ao longo de seus segmentos.
- Compressão da artéria subclávia/Síndrome do desfiladeiro torácico: Compressão de artéria subclávia, veia ou plexo braquial no desfiladeiro torácico, causando dor e parestesia no membro
- Cervicalgia: Dor cervical mecânica e muscular, sem radiculopatia, ligada a má postura e estresse.
- Espondilose Cervical: Degeneração da coluna cervical com osteófitos e redução discal, que pode causar dor axial, radiculopatia ou mielopatia.
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