Quadril e coxa
A articulação mais estável do corpo e sua musculatura.
Anatomia · 9 min de leitura no app · atualizado em 20/08/2026
Resumo em 5 pontos
- 1O quadril é uma enartrose entre a cabeça do fêmur e o acetábulo (ílio + ísquio + púbis), aprofundado pelo lábio acetabular.
- 2É a articulação mais estável do corpo por congruência óssea, selo labral com pressão negativa, ligamentos capsulares (iliofemoral, pubofemoral, isquiofemoral) e grande massa muscular periarticular.
- 3A musculatura se organiza em cinco grupos funcionais: flexores (iliopsoas), extensores (glúteo máximo, isquiotibiais), abdutores (glúteo médio/mínimo), adutores (grupo medial da coxa) e rotadores laterais (seis pequenos rotadores).
- 4As afecções mais cobradas são bursite trocantérica/síndrome da dor lateral do quadril, bursite isquiática, pubalgia, impacto femoroacetabular e o par instabilidade x contratura como extremos opostos.
- 5Patrick (Fabere) é o teste de triagem central, mas não diferencia sozinho quadril de sacroilíaca — a localização da dor é que orienta o raciocínio.
O que cai na prova
- Bancas adoram a comparação ombro x quadril: o ombro sacrifica estabilidade por mobilidade, o quadril faz o oposto — decore essa lógica, ela aparece disfarçada em várias questões. O ligamento iliofemoral (Y de Bigelow) é cobrado como o ligamento mais resistente do corpo humano e como o principal limitador da hiperextensão do quadril na postura ortostática. No teste de Patrick (Fabere), a pegadinha clássica é achar que ele é específico do quadril: dor inguinal aponta para a articulação coxofemoral, dor na região glútea/posterior aponta para a sacroilíaca — o teste avalia as duas. Cuidado com a nomenclatura de "bursite trocantérica", cada vez mais substituída por "síndrome da dor lateral do quadril" na literatura, que engloba também a tendinopatia glútea. Lembre que reto femoral e isquiotibiais são biarticulares (cruzam quadril e joelho), enquanto o glúteo máximo é monoarticular — erro comum é esquecer essa diferença ao justificar padrões de encurtamento e de lesão muscular. Por fim, não existe um rotador medial dedicado clássico do quadril: a rotação medial é função acessória de fibras do glúteo médio/mínimo e do TFL, diferente da rotação lateral, que conta com seis músculos dedicados.
Começo do resumo
Arquitetura óssea da articulação coxofemoral
O quadril (articulação coxofemoral) é uma enartrose — articulação sinovial esferóidea, do tipo bola e soquete — formada entre a cabeça do fêmur e o acetábulo do osso do quadril. O acetábulo resulta da fusão de três ossos que se encontram na cartilagem trirradiada durante o crescimento: o ílio (contribuição superior), o ísquio (contribuição posteroinferior) e o púbis (contribuição anterior). Os ossos púbicos direito e esquerdo se articulam anteriormente na sínfise púbica, uma articulação cartilaginosa secundária que fecha o anel pélvico.
A superfície articular do acetábulo não é uma esfera completa: forma uma ferradura (face semilunar) recoberta por cartilagem hialina, com uma fossa acetabular central não articular, preenchida por tecido adiposo e pelo ligamento da cabeça do fêmur. Ao redor da margem óssea, o lábio acetabular — um anel fibrocartilaginoso — aprofunda a cavidade e amplia a área de contato articular, orientada lateral, inferior e anteriormente. A cabeça femoral é revestida por cartilagem articular em quase toda sua extensão, exceto na fóvea, ponto de inserção do ligamento da cabeça do fêmur (ligamento redondo).
O resumo completo, com quiz no fim, está no app no Plus.
O que tem no resumo completo
- Arquitetura óssea da articulação coxofemoral
- Por que o quadril é a articulação mais estável do corpo
- Musculatura do quadril: organização funcional por grupos
- Da anatomia para a clínica: principais afecções do quadril e coxa
- Avaliação clínica e testes especiais